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terça-feira 10 março 2026 | 17:42

Bolsonarismo sofre 2ª tentativa de debandada, e filhos de ex-presidente reagem

**Bolsonarismo sofre 2ª tentativa de debandada, e filhos de ex-presidente reagem**
Articulação coincide com prisão de ex-presidente e unificação de centrão em torno de Tarcísio
17/11/2025 | 06h42
**Por Ranier Bragon**
(Folhapress) — A menos de 11 meses das eleições de 2026, o bolsonarismo vive uma tentativa velada de sucessão em que parte dos atores busca assumir o protagonismo na direita sem repetir o confronto direto que marcou a primeira geração de dissidentes — quase todos politicamente anulados após romperem e baterem de frente com Jair Bolsonaro.
Se de 2019 a 2022 figuras como Joice Hasselmann e Janaina Paschoal desabaram da casa dos milhões de votos para a insignificância eleitoral após colidirem abertamente com o clã Bolsonaro, agora o novo movimento toma o cuidado de manter a reverência ao ex-presidente ao mesmo tempo em que se vende publicamente com um figurino mais ao centro.
A união do centrão — grupo de centro-direita e de direita que controla o Congresso — e de boa parte do empresariado e do mundo financeiro em torno do nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), somada à articulação de colegas governadores de direita correndo por fora, compõe a face mais visível desse redesenho.
A primeira leva de dissidentes trombou com Bolsonaro no poder e com boa perspectiva de reeleição. A segunda tem a seu favor a vantagem de vê-lo condenado e preso.
O atual modelo que busca suceder a liderança do ex-presidente no campo da direita teve a semente plantada na eleição para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, quando Pablo Marçal quase desbancou o nome oficial do bolsonarismo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB).
Ali constatou-se que, a depender do perfil e do jeito em que a dissidência se dá, não há necessariamente a morte eleitoral ao se descumprir ordens do ex-presidente.
Em meio a esse xadrez e com o ex-presidente preso, os seus filhos mais velhos, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos, todos do PL, tentam manter o bastão da direita nas mãos da família. Além de tentar passar a imagem de que o bolsonarismo tem dono e hierarquia e não está aberto à sucessão, cobram publicamente não só apoio, como ação em prol do pai.
Como mostrou a colunista da Folha, Mônica Bergamo, nesta sexta-feira (14), Flávio Bolsonaro avançou em seus movimentos para se lançar candidato à Presidência da República, cenário de pesadelo para o centrão e seu plano de unificar a direita em torno de Tarcísio.
Em entrevista na véspera à Jovem Pan, Eduardo voltou a manifestar que vê muita gente na direita tentando se passar pelo que não é. “Ao se retirar o Jair Bolsonaro da equação, não encontra-se um outro líder que aglutine todo mundo”, afirmou, frisando que vai estar no campo oposto ao de Lula em 2026, mas que o que não quer “é que as pessoas levem gato por lebre”.
A cobrança tem endereço: Tarcísio em especial, mas também os demais governadores da direita (que foram acusados pelos filhos do ex-presidente de agirem como “ratos”) e outras figuras como o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
Na visão do entorno da família, por exemplo, Nikolas não usa seu prestígio para pressionar pela reversão da situação de Bolsonaro. O deputado foi o campeão de votos à Câmara dos Deputados em 2022 e tem grande presença nas redes sociais.
“Nikolas quer se livrar do Bolsonaro de vez. Ele está liderando uma dissidência, e vários políticos mais jovens estão com ele. O problema? O de sempre: ‘Temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor’. Eles querem continuar sendo eleitos pelos bolsonaristas, mas não querem mais prestar contas ao Bolsonaro”, diz postagem compartilhada por Eduardo Bolsonaro em suas redes sociais no início do mês.
As críticas dizem respeito à decisão do clã de despachar Carlos Bolsonaro para disputar o Senado por Santa Catarina, o que rachou o bolsonarismo no estado, tendo como porta-voz contrária à mudança a deputada estadual Ana Campagnolo (PL).
Nikolas, que já havia sido criticado antes pelo filho do ex-presidente, não respondeu. Em sua conta no Instagram, postou uma junção de vídeos ao lado de Jair. A postagem tinha mais de 15 milhões de visualizações até esta sexta.
“Se ficar carimbado de traidor, os votos evaporam”, diz Fabio Wajngarten, que foi secretário de Comunicação do governo Bolsonaro, sem citar nomes específicos. “Nesses três anos e meio de perseguição ao presidente, fica evidente quem esteve ao lado dele e quem não esteve.”
Tanto Nikolas como Tarcísio foram autorizados por Alexandre de Moraes a visitar Bolsonaro nas próximas semanas.
“Creio que eles vão ter um dilema, que vai persistir até o final. Se eles passam o bastão para alguém antes, para o Tarcísio, eles colocam o Bolsonaro no ostracismo total, isso dificulta a eleição de uma bancada de deputados de extrema direita. Então, acho que eles vão ficar com esses fantasmas”, diz o líder da bancada do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ).
“Eu conversei com alguns deles, que dizem: ‘O nosso medo é a gente ser engolido pelo centrão’. Você está vendo uma tentativa de desgarramento de parte desse grupo aí do Bolsonaro. E eu acho que a turma do Bolsonaro vai dizer não.”
**Focos de instabilidade no bolsonarismo**
**Governadores de direita** Grupo é composto por nomes que tentam se viabilizar para a sucessão de Lula, evitando trombar de frente com o ex-presidente e perder capital eleitoral na direita. Apesar disso, foram acusados por Carlos e Eduardo Bolsonaro de agirem como “ratos” buscando herdar na inércia o capital político do pai. É formado por Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Jr. (PSD-PR) e Romeu Zema (Novo-MG). Na última ida a Brasília, grupo teve companhia de Claudio Castro (PL-RJ), que viu popularidade melhorar após a megaoperação policial contra o Comando Vermelho, no Rio.
**Tarcísio de Freitas** Desse grupo, o governador de São Paulo é há meses o nome preferido do centrão e da elite financeira e empresarial para enfrentar Lula. Também enfrentou forte artilharia da família Bolsonaro sob a acusação de pretender virar as costas ao padrinho político ao mesmo tempo que tenta herdar seu espólio eleitoral. Eduardo chegou a dizer em mensagem ao pai: “Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado, vendo você se foder e se aquecendo para 2026”.
**Carlos Bolsonaro em Santa Catarina** A decisão de Bolsonaro de despachar o vereador do Rio para disputar o Senado em Santa Catarina abriu um racha no bolsonarismo local. Sem confrontar diretamente o ex-presidente, figuras como a deputada estadual Ana Campagnolo (PL) resistem frontalmente à ideia e são atacadas pelos três filhos de Bolsonaro, para quem o bolsonarismo tem comando e quem não concordar deve romper abertamente.
**Nikolas Ferreira** Deputado federal de Minas, o mais votado do país em 2022 e fenômeno nas redes sociais, frequentemente é acusado por bolsonaristas de não usar todo seu prestígio e alcance para defender o ex-presidente. Em recente post compartilhado por Eduardo Bolsonaro, por exemplo, ele é acusado de querer se livrar de Bolsonaro.
Fonte: ICL Notícias Link da notícia: iclnoticias.com.br/bolsonarismo-sofre-2a-tentativa-de-debandada/