O presidente do Tribunal Superior Eleitoral tomou decisões contraditórias nesta terça-feira sobre conteúdos eleitorais nas redes sociais, removendo material que conecta candidato do PL ao Banco Master enquanto mantém publicação que associa o presidente Lula a atividades criminosas. A ação levanta questões sobre imparcialidade nas eleições 2026 e o tratamento desigual de campanhas políticas em plataformas digitais.
Em uma determinação que gerou polêmica, o magistrado concedeu prazo de apenas 24 horas para que o Instagram removesse vídeo publicado pelo perfil @lulapelaverdade. A publicação relacionava o candidato bolsonarista ao Banco Master e ao financiamento do filme “Dark Horse”, além de mencionar supostos esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo membros da família Bolsonaro.
A decisão de retirada do ar ocorreu apesar de reportagem do site Intercept ter divulgado áudio em que o próprio candidato solicita recursos financeiros a Daniel Vorcaro para conclusão da produção cinematográfica. O candidato confirmou a autenticidade da gravação, validando o conteúdo que foi posteriormente removido das plataformas digitais.
Paralelamente, o mesmo magistrado rejeitou pedido da coligação de Lula para remover vídeo publicado pela campanha adversária. A publicação afirmava que “bandidos comemoraram a vitória do seu candidato” e exibia imagens descontextualizadas de pessoas presas, buscando associar o presidente à criminalidade. Segundo a decisão, os elementos apresentados não eram suficientes para comprovar que o material utilizava conteúdo falso ou manipulado.
A disparidade nas decisões reflete um padrão preocupante no tratamento de denúncias eleitorais. Enquanto conteúdo sobre investigações reais envolvendo candidatos da oposição foi removido em 24 horas, material potencialmente enganoso contra o presidente permaneceu circulando nas redes sociais sem restrições.
Adicionalmente, o tribunal concedeu dez dias para que a Meta e WhatsApp apresentassem explicações sobre aprovação de anúncios irregulares. Estudo da organização britânica Eko revelou que 87% dos anúncios políticos irregulares submetidos aos sistemas de moderação foram aprovados, incluindo conteúdo gerado por inteligência artificial sem identificação obrigatória e peças pagas de contas sediadas nos Estados Unidos.
Destaques do Conhecimento
- Ministro do TSE removeu em 24 horas vídeo que conecta candidato do PL ao Banco Master, apesar de áudio autêntico confirmar solicitação de financiamento
- Mesma autoridade rejeitou pedido para remover publicação que associa presidente Lula a atividades criminosas, mantendo conteúdo descontextualizado no ar
- Meta aprovava 87% dos anúncios eleitorais irregulares em teste de moderação, incluindo conteúdo com IA não identificada e financiamento internacional
- Disparidade nas decisões levanta questões sobre imparcialidade nas eleições 2026 e tratamento desigual de campanhas políticas
Fonte original: ICL Notícias | Adaptação: Perus Online
Caption: Ministro do Tribunal Superior Eleitoral em sessão de julgamento sobre propaganda eleitoral nas redes sociais durante campanha presidencial 2026
